23 setembro 2019

Google vai certificar mais uma turma de educadores inovadores no Brasil

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Grupo de trabalho Macacators do qual fiz parte na Academia Innovator 2017 no Google. Foto: Marcio Motta

O Certified Innovator Program, iniciativa do Google que certifica educadores em diferentes países está com chamada pública aberta em 2019 no Brasil. O programa está com inscrições abertas até 27 de setembro e vai selecionar 36 educadores inovadores que vão participar da Academia de Inovação em dezembro, na sede do Google em São Paulo.

Ser um profissional multi certificado e reconhecido pelo Google é uma missão não tão impossível para os educadores que já desenham suas práticas pedagógicas com auxílio das tecnologias. A empresa mantém diversos recursos como as ferramentas da suíte Google for Education, além de dispositivos como os chromebooks e os programas globais de certificação.

As certificações oferecidas pelo Google são obtidas através de exames online ou chamadas públicas. Para ajudar os interessados a empresa oferece um centro de treinamento online - o Google Teacher Center - onde é possível se preparar para cada umas das certificações a partir de trilhas de aprendizagem online desenhadas por educadores e para educadores de todo o mundo.

Através do Teacher Center é possível ter acesso a quatro tipos de certificação: Educador Nível 1, Educador Nível 2, Instrutor Certificado e Inovador Certificado. As duas primeiras avaliam seu domínio sobre ferramentas digitais e o que você consegue produzir a partir dessas ferramentas. A certificação de Instrutor atesta a capacidade de auxiliar outros professores na aplicação de tecnologias. Todas elas são obtidas através de exame online com duração de 180 minutos, sem intervalo.

A certificação de Inovador globalmente conhecida como Google Innovator, é um pouco diferente. Não se trata de prova e sim seleção pública que vai escolher pessoas com atuação inovadora na educação, comprovada pelos critérios definidos pelo Google, e um desafio a ser desenvolvido ao longo de um ano. Os selecionados participam da Academia de Inovação, em São Paulo, onde dão os primeiros passos para que o desafio submetido se transforme num projeto de inovação para a educação brasileira. O projeto será mentorado e acompanhado durante toda sua execução.

Innovators da turma BZR17 trabalham em equipe durante a Academia de Inovação na sede do Google em São Paulo. Foto: Neto Dutra.

Grandes projetos nascidos durante a Academia de Inovação do Google já ganharam o Brasil e continuam ativos e transformando a educação do país até hoje. Exemplos que merecem destaque são os projetos com foco em produção e análise de mídia como o HoaxBusters e o MidiaMakers, iniciativas de formação de professores como o podcast EdueDaiAmplifica e o ProfLab e iniciativas de empoderamento dos estudantes como o projeto Teacher for a Day. Todos os projetos da turma de 2017 podem ser consultados através do link: http://bit.ly/showcasegoogleinnovatorsbrz17 

A última vez que a Academia Innovator esteve no Brasil foi em 2017 quando formou a segunda turma de Innovators com 36 selecionados. A primeira turma de Innovators aconteceu em 2014 e certificou 54 educadores de todas as regiões do país. Em 2019 já aconteceram academias de inovação nas cidades de Sydney e  Londres. Além São Paulo estão programadas academias em Tóquio, Cingapura, Nova York e Estocolmo.

Todas as certificações para educadores do Google são internacionais e os educadores certificados passam a integrar uma comunidade prática ativa composta por profissionais de todo o mundo, além de fazer parte do diretório Google for Education.

A chamada pública da seleção para a Academia Innovator está aberta desde janeiro no link www.certifiedinnovators.com.

15 maio 2019

Atravessemos juntos!

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Quando iniciei os estudos na graduação em comunicação na Universidade Federal de Pernambuco, eu não fazia a menor ideia de que, no futuro, iria dedicar grande parte das minhas horas de trabalho à educação. Quem fez a conexão entre comunicação e educação que iluminou as minhas ideias foi um professor que, no 4º ou no 5º período do curso, lançou a pergunta: sabiam que vocês, como futuros comunicadores que serão, podem contribuir muito para transformar a educação? A partir daquele momento, todos os meus passos no curso buscaram conectar, de alguma forma, essas duas áreas. Essa busca por combinar saberes continua até hoje.

O desejo de conectar saberes motivou, em mim, a vontade de criar projetos que contribuíssem, de alguma forma, para a aprendizagem. Não porque eu acreditava que a educação era ruim, mas porque sabia que podia melhorar. Não demorou muito até perceber que, antes de conectar saberes, era necessário conectar pessoas. E, para conectar pessoas, era necessário conversar com elas, entender seus contextos e escutar o que elas tinham para dizer. Era preciso construir relacionamentos. E foi assim que me aproximei de professores de diferentes áreas e níveis, por meio de projetos e de redes de convivência, entre elas, a rede Professores transformadores, berço dos textos publicados no livro Professores em travessia pela educação.


Em 14 anos de projetos dedicados à educação, atravessei diversos caminhos. Organizei eventos, produzi conteúdos para diferentes mídias, editei livros e desenhei experiências de formação sempre em parceria com professores e, na grande maioria da vezes, para professores. Nunca fiz nada sozinha, sempre caminhei com eles. Essas travessias me trouxeram a grande oportunidade de escutar o que os professores tinham - e ainda têm - para dizer sobre o dia a dia de uma profissão tão importante e, ao mesmo tempo, tão desvalorizada no país.


Ouvi e ouço muitas angústias, mas se engana quem acredita que só há isso para ouvir. Há também muitas histórias felizes e emocionantes. Diversas travessias bem-sucedidas, que merecem ser registradas e iluminadas para que toda a sociedade possa conhecê-las. Há situações curiosas e muito trabalho criativo sendo desenvolvido de norte a sul do país, que não ganha tanto destaque diante das manchetes que insistem em ressaltar tragédias e violência. Seria tão bom se houvesse ao menos um equilíbrio nesses destaques. Como comunicadora que acompanha projetos desenvolvidos por professores há muitos anos, posso garantir que temos condições de equilibrar essas manchetes e começar dando visibilidade às experiências que algum professor pode estar desenvolvendo bem perto de nós, na escola do bairro, apostando em fazer diferente, sem fórmulas mágicas como tão bem abordado no texto Fórmula mágica para uma prática pedagógica dos sonhos, de Fernanda Câmpera Clímaco, que você vai ler no livro.

Mas, destacar travessias bem-sucedidas não significa minimizar a importância do compartilhamento das angústias da profissão. O exercício da empatia na relação com professores é primordial e ele começa a partir de uma escuta atenta. Aliás, empatia é um tema recorrente nesta obra, abordado em diferentes cenários, como no texto Educar para a empatia, de Elke Beatriz Felix Pena. Ainda faltam espaços que estimulem os professores a falar sobre seus problemas, suas carências e suas aflições. Eles querem falar sobre isso. Lembro que uma das atividade de um dos projetos de formação do qual faço parte com alguns colegas educadores dizia respeito à produção de memes. Fomos surpreendidos ao perceber que a maioria dos memes criados estava relacionada aos dissabores da profissão. Pela falta de outro momento, os professores aprendizes resolveram se expressar por meio da atividade. É por isso que espaços como a rede Professores transformadores - e, consequentemente, esta obra - são tão relevantes.

Uma das tarefas mais importantes que temos em relação à educação talvez seja justamente a criação desses espaços de interação com foco na fala e na escuta, não só para quem media como também para quem aprende, lembrando que é a partir das interações e do diálogo sobre os problemas que passamos a entender melhor o outro e que chegamos a soluções mais adequadas. Não há como haver propostas sem o entendimento das dores de cada um. Um bom exemplo disso pode ser visto já no início da obra, no texto Por uma educação contra o machismo, em que Cristiene Adriana da Silva Carvalho constrói um espaço de escuta sobre violência contra a mulher em sua instituição. Logo mais adiante, o texto O diálogo como força, de Elke Beatriz Felix Pena, chega para reforçar a importância de participar desses ambientes de fala e escuta, sejam eles presenciais ou virtuais, criados por nós ou não. A responsabilidade de construção desses espaços não precisa ser apenas das escolas ou do governo; ela também pode ser minha e sua.

Implementar uma rede de pessoas do ponto de vista das ferramentas é relativamente fácil hoje em dia. No tempo de alguns cliques é possível não só criar um website como um grupo que poderá reunir centenas de pessoas em torno de um tema. O mais difícil de uma iniciativa assim é atrair as pessoas e manter a rede ativa, crescendo organicamente e se reinventando a partir da construção de novos espaços e novos formatos dentro da própria rede, a exemplo deste livro, que materializa anos de produção constante dos professores autores a partir de uma curadoria cuidadosa de sua organizadora, Elodia Honse Lebourg.

Posso encerrar este meu texto dizendo que a rede Professores transformadores tem alcançado, com distinção, seu objetivo de construção de espaços de fala e escuta, ao reunir dezenas de professores escritores que compartilham suas experiências para milhares de professores leitores que amplificam a voz uns dos outros, nas mais variadas experiências e combinando momentos presenciais e virtuais. Isso nos mostra que ninguém precisa fazer sua travessia sozinho.




Karla Vidal 
Editora da Pipa Comunicação

29 abril 2019

Onde baixar vídeos gratuitos e alguns olhares sobre autoria na Internet

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Link do vídeo em domínio público: https://www.pond5.com/pt/stock-footage/44576407/teacher-singing-song-smokey-bear-students-school.html

Já chegaram a me perguntar onde eu baixava os vídeos que utilizo nos projetos da Pipa. A mesma pergunta já aconteceu com as fotos. Sempre respondia que cerca de 80% das fotos e vídeos que uso sou eu mesma que produzo e gravo.

Aos poucos fui parando de explicar que era muito melhor (e mais divertido) produzir seus próprios trechos de vídeo (footage em inglês). Obviamente as condições para que esse trabalho seja realizado nem sempre são favoráveis e às vezes é necessário recorrer a bancos de imagem mesmo. Assim, quando essa pergunta surge, sempre faço questão de indicar bancos de imagem, muitos com boas opções para uso gratuito.

Contribuo em alguns deles com conteúdo gratuito também. Se uso material gratuito de outros produtores acho muito válido poder contribuir para a manutenção da rede. Vale ressaltar que uso gratuito não significa que o material passa a ser seu. Você pode usar em seus projetos, inclusive comerciais, mas a maioria dos autores pede e agradece se você creditar as imagens de forma correta. Isso pode acontecer ao final do projeto ou na descrição para os casos de vídeos postados no YouTube ou Instagram. Na verdade coloque onde você puder, o importante é dar o crédito.


Galeria com algumas das  imagens que disponibilizo em bancos de imagem, sejam elas gratuitas ou não.


Aqui eu abro um novo parágrafo só pra falar sobre créditos e autoria. Há quem acredite que todo material digital "disponível" na web não tenha autoria. Há até quem diga que uma vez estando na Internet é de todo mundo. Isso é uma grande confusão. Todo conteúdo digital possui autoria. Todo produtor de conteúdo digital faz questão de assinar o seu trabalho e quando disponibiliza gratuitamente, geralmente pede que o crédito seja dado. É a retribuição mínima pelo esforço dedicado de quem teve uma ideia de imagem, saiu em busca ou montou uma cena, capturou com seu equipamento, editou e disponibilizou na Internet pra você. Esse crédito deve ser atribuído ao autor e não ao ambiente. Isso significa que créditos como "Imagens: Internet" ou "Foto: Flickr" não estão corretos e até demonstram uma certa falta de respeito com o autor. Existe autoria na Internet e uma busca correta vai revelar o nome do fotógrafo ou do videomaker a você. Essa semana esbarrei nesse vídeo da Capes que traz imagens que não saberemos de quem são porque decidiram dar crédito como "Imagens: Internet". Esperava mais de um órgão que lida diariamente com a pesquisa e a ciência do país. Isso é bastante desanimador para quem disponibiliza material gratuito na Internet.

Esse texto nem era pra ser sobre reclames, mas eles sempre acontecem... Na verdade eu vim aqui para listar os bancos de imagens que uso e oferecem opções de trechos de vídeo gratuitos que podem ser usados em projetos, desde que sejam atribuídos créditos ao autor. Se desejar você pode atribuir créditos ao autor e ao website, mas nunca somente ao website.


Tela de download do website: https://mixkit.co/

Todos esses bancos possuem opções gratuitas e/ou pagas. É importante lembrar de acionar os filtros de busca para vídeos gratuitos e ficar ligado na etiqueta free que geralmente acompanha os conteúdos. Não são acervos enormes como os de conteúdo pago, mas ajudam bastante quando você não tem tempo ou condições adequadas para produzir seus próprios vídeos. Nem sempre o download é simplificado, mas não desista. Sugiro que sempre faça o cadastro no site para favoritar o que gosta e realizar o download. Às vezes é necessário adicionar ao carrinho, mesmo que o vídeo seja gratuito. Tenha em mente também que é um trabalho com vídeos: websites e arquivos pesados que demandam tempo para download, boa conexão, além de espaço em HD para salvá-los. Segue a lista:




Lembrando que bancos de imagem são negócios, mesmo que sejam mantidos de forma colaborativa. Assim, é possível que no futuro alguns desses bancos deixem de existir.

Espero ter ajudado com as indicações.
Abraços e até a próxima.